Agora sim! Bike Buddy a caminho do Tagus Park

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6h30 da manhã, despertador a tocar. E um Bike Buddy a levantar-se algo estremunhado… Banho, beijo na testa do filho-mais-lindo-do-universo que ainda dorme, sempre com a serenidade do mundo bem lá dentro. E há o agarrar na bicicleta dobrável, no computador e na mala, antes de confirmar os dados sobre os percursos possíveis e, vamos lá, pernas ao caminho. Tagus Park, aí vamos nós. Raios, esqueci-me do tomar o pequeno-almoço… Fica para depois.

Menos de 10 minutos a pedalar e já estou na estação do Rossio. Destino Amadora. E o funcionário da segurança na estação do Rossio: “Amigo, sabe, não o posso deixar usar as escadas rolantes… Tem ali o elevador. Eu por mim não vejo mal nenhum nisso, mas se está aí a polícia meto-me num grande sarilho.” Respondo: “Ok, sem problema. Não o queremos em sarilhos.” E lá entro no elevador. Segurança: “Obrigado, ainda bem que compreende amigo!

Bilheteira, carregar uma viagem até à Amadora. Olha, porreiro, dá para ir até Queluz. Vai na volta não precisarei de recarregar com outro bilhete da Amadora até Barcarena. Se não precisar de sair da estação na Amadora, sigo já com este bilhete até ao destino.

Entretanto envio SMS para a K., a nova utilizadora de bicicleta, a dizer que já estou no comboio, quase a chegar portanto. Tínhamos discutido duas possibilidades para irmos da cidade da Amadora até ao Tagus Park. Poderíamos fazer todo o percurso a pedal, ou, alternativamente, usar a bicicleta em conjunto com o comboio. Para já, nesta primeira vez, decidimos testar a intermodalidade e usar o comboio entre a Amadora e Barcarena, seguindo então de bicicleta até ao Tagus Park. Ficou por testar a totalidade do percurso a pedal – fica para a semana!

Amadora. Vejo a K. que me faz sinal para não sair do cais de embarque dos comboios, vem ter comigo. Apresentações, sorrisos e lá vamos nós para o Tagus Park. O Bike Buddy vai entremeando conversa-de-Bike-Buddy (e.g., sobre como nos posicionarmos na estrada, a que distância é seguro circular da berma, ou mesmo sobre o uso de capacete) com o arrumar das bicicletas na carruagem sem incomodar os outros utentes. Em menos de nada estamos já em Barcarena e o pequeno-almoço que me esqueci de tomar grita agora dentro de mim.

K., importas-te que pare aí num tasco para beber um café, comer qualquer coisa e ligar o cérebro antes de arrancarmos?

Vamos falando de capacetes, das mudanças da bicicleta da K. que saltam quando não devem, do Tagus Park e da possibilidade de tomar um duche à chegada ao trabalho. Falo-lhe da Ciclo-oficina comunitária do Regueirão dos Anjos para afinações e arranjos de bicicletas, da Massa Crítica/Bicicletada e a sandes de queijo já foi deglutida e o café aspirado sem que o tenha notado. Enfim, é coisa meio estranha falar das nossas bicicletadas – em que a K. até já participou uma vez – a alguém que vem de Budapeste, onde pelo menos uma vez por ano há uma Massa Crítica que já conseguiu o assinalável feito de juntar mais de 80 000 participantes… Torna-se claro que a K. não é uma novata absoluta. Sabe andar bem de bicicleta e para além disso tem já alguma experiência na utilização utilitária da bicicleta na cidade. A cidade entretanto mudou – da Hungria e Budapeste passámos para Portugal e a Amadora – mas no essencial temos alguém mais do que preparado para adoptar a bicicleta como meio de transporte. Os desafios hoje serão, essencialmente, as subidas que teremos pela frente.

Lá arrancamos. Ponte pedonal/ciclável por cima do IC19 e depois uma bela paisagem, um bosque intenso. Começamos por descer. Tento exemplificar como nos podemos posicionar na estrada – de forma assertiva e sobretudo sem nos remetermos excessivamente para junto da berma. Seguimos calmamente pelo bairro residencial de São Marcos, entre o pedalar e o conversar. O Bike Buddy segue à frente, procurando exemplificar como se comporta nas várias situações. No fundo, procura que a sua condução possa servir de exemplo sobre como estar na estrada sem fazer mais do que simplesmente pedalar como o faz no quotidiano em cima da bicicleta. A K. vem logo atrás. A comunicação é constante.

Cá está, aqui temos a primeira subida. E que subida… Lá fazemos uso das mudanças e seguimos, lentamente mas num ritmo confortável. Desmontamos num pequeno troço, fazemos 5 minutos a pé, mais pelas características da via, do que propriamente pela inclinação da rampa. É que temos que fazer uma rua em sentido contrário, sendo que o passeio é estreito e tem bastantes peões em circulação, para além da faixa de rodagem ser excessivamente estreita para circular em contra-mão…

São 5 minutos a pé e voltamos para as bicicletas. A subida continua – aliás, da estação de Barcarena até ao Tagus Park não há muito mais para além de subir… Subir… Mas que bem que se fazem estas subidas.

9h. Chegada ao Tagus Park. Literalmente, 9h00. Tendo saído da Amadora às 8h, demorámos 1h até ao destino. Com menos conversa e sem pequeno almoço parece-me que teríamos feito isto em 30/40m, nada mau.

Para aqueles que acham que o Tagus Park é no meio do nada e do nenhures, e que portanto é muito complicado lá chegar de bicicleta, espero que este post possa servir de ilustração que este é um destino perfeitamente ciclável.

Mas o melhor de tudo isto é, sem qualquer dúvida, a certeza que a K. veio para ficar. Ganhámos uma nova utilizadora de bicicleta em deslocações casa-trabalho-casa!

K. no Tagus Park - Bike Buddy em acção - Amadora -> Tagus Park

Agora só falta testar um percurso totalmente a pedal entre casa (Amadora) e o trabalho (Tagus Park). Cá estaremos para a semana para esse outro desafio!

PS: Bike Buddy despachado às 9h! Fantástico. Posso estar no trabalho (Cidade Universitária em Lisboa) em pouco mais de meia hora e começar o dia de trabalho quanto antes. Mas porque não pedalar até ao mar, beber um café com um bom amigo antes de começar o dia trabalho? E é assim que do Tagus Park pedalei até Oeiras, bebi um café e troquei uns dedos de conversa com um amigo antes de me enfiar de novo no comboio de regresso a Lisboa (Cais do Sodré), usando depois o metro até Alvalade, pedalando por fim até à Cidade Universitária… Nada mau. E assim como assim, o dia de trabalho começou às 11h, até que não foi assim tão mau.

2 comentários em “Agora sim! Bike Buddy a caminho do Tagus Park”

  1. Melhor trajecto, é descer da estação de Barcarena até à Fábrica da Pólvora, passar por dentro desta a pé (50 m) e depois subir com calma até ao Cabanas Golf. E estamos no Tagus Park.
    É este trajecto que faço quando vou de Leceia a Queluz cortar o cabelo.nn1

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